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O que impacta os custos na saúde
Workshop HCOR

“O envelhecimento populacional e as mudança do perfil clínico e epidemiológico da população são fatores importantes que impactam diretamente nos custos da saúde”, afirma Carlos Figueiredo, Diretor Executivo da Anahp durante o Workshop sobre o ‘O que impacta os custos na saúde’. O evento foi promovido pela Associação no dia 07 de maio de 2015, no Hospital do Coração – HCor, em São Paulo (SP) e reuniu cerca de 200 participantes.

“Dados do Observatório Anahp de 2015 revelam que a mediana de idade dos pacientes passou de 37 para 41 anos. Outro dado importante que também chama a atenção diz respeito à média de permanência, que aumentou de 4,4 para 4,6 dias. Essas mudanças, naturalmente aumentam o consumo e a complexidade dos atendimentos nas instituições”, explica Figueiredo.

Segundo o executivo, além do avanço da demanda e o aumento de usuários com maior consumo de serviços e materiais, o setor hospitalar tem observado ainda crescente pressão de operadoras de planos de saúde pela redução de suas despesas assistenciais. “Essa tendência é verificada na defasagem de reajustes contratuais, e no forte crescimento das despesas em relação às receitas”, completa.

Panorama geral da economia e inflação no Brasil: Macrotendências

Frente ao aumento dos custos em saúde, o evento contou com a participação de Luiz Gustavo Cherman, Economista do Itau BBA para falar sobre as perspectivas econômicas do país. De acordo com o palestrante, em 2014 o crédito nos bancos públicos tinha crescido muito, mas com a atual situação econômica do país foram reduzidos, pois não há mais recursos para manter a expansão.

Outro ponto mencionado por Cherman foi os custos administrados (água, luz, etc) que caíram nos últimos anos. “Essa realidade já indicava que alguma coisa estava errada. Agora, com esse momento econômico delicado, esses custos já começaram a subir significativamente, especialmente com as crises hídrica e energética”, comenta.

Ao abordar as tendências econômicas globais, o palestrante reforça o baixo crescimento dos países emergentes. “Nos Estados Unidos, a desaceleração econômica recente parece ser temporária e deve haver aumento na taxa de juros ainda em 2015. A atividade econômica na Europa continua melhorando, assim como a China, após a desaceleração econômica do primeiro trimestre. Já os países emergentes, apresentam crescimento fraco e o espaço para estímulos está ficando cada vez mais restrito”, explica.

Para o economista, 2015 será um ano de alta de custos para as correções necessárias na economia do país. “2015 será um ano de tratamento, com a projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 0,8% e inflação de 8,2%. Em 2016 ainda será difícil, a perspectiva de crescimento do PIB é 1,5% e a inflação de 5,5%. É baixa, mas já é alguma coisa, pois precisamos sair do vermelho”, afirma.

Além do fraco desempenho econômico, a taxa de desemprego apresenta tendência de aumento e a perspectiva é que ao final de 2015 chegue a 7,3%, segundo Cherman.

Experiências da indústria de suprimentos hospitalares

As elevadas cargas tributárias na indústria de suprimentos hospitalares, o ambiente regulatório pouco favorável e os efeitos do baixo desempenho da economia do país na indústria de suprimentos hospitalares foram abordados por Walban Damasceno de Souza, Diretor de Assuntos Corporativos da BD.

“A carga tributária no nosso setor é muito alta, além dos custos para arrecadação desses tributos. A regulação é outro ponto importante que precisa ser revisto. Nós não somos contra a regulação, no entanto, ela precisa ser inteligente e contribuir com os processos”, explica Souza.

Segundo o executivo, o aumento dos custos administrados, como energia, por exemplo, é um desafio para o setor, pois não estavam previstos. “Redução de custo já é uma questão constante na indústria, especialmente em um momento como este, em que teremos, por exemplo, um impacto de R$ 1,5 milhão só em energia. O Governo, infelizmente, faz políticas com o pensamento sindical da década de 80”, afirma.

A variação cambial e os impactos nas importações, a falta de estrutura logística do país e  falta de planejamento de demanda da área pública também foram citadas como dificuldades enfrentadas pela indústria.

Para amenizar essas questões, a indústria investe em treinamento e capacitação, melhoria de processos e tecnologias alinhados às necessidade dos países emergentes. “Essas iniciativas colaboram para a redução de custos do sistema e contribuem para a sustentabilidade do setor”, argumenta.

Como indicadores econômicos são construídos e qual a sua utilidade? Como pensar em um indicador para a área da saúde?

Denise de Pasqual, Economista da Tendências Consultoria Integrada abordou os requisitos necessários para a construção de indicadores e apresentou exemplos de iniciativas que se tornaram referência para o setor, como a Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias (ABCR) e o Monitor da Construção Civil (MCC).

“Para construir indicadores econômicos é importante identificar as possíveis oportunidades, a relevância desse indicador com as variáveis econômicas, a abrangência e como esta informação pode contribuir”, explica a economista.

Impactos da variação dos custos da saúde sobre o mercado de saúde suplementar

Para Adriano Londres, Diretor de Atendimento Empresarial na Qualicorp, a transição na saúde, o modelo assistencial inexistente e o modelo de remuneração desalinhado explicitam a necessidade de mudanças do setor.

“Ao compararmos os principais indicadores de inflação geral de preços versus a inflação médica, percebemos o alto custo da saúde. Para mudar esta realidade, todos precisam se envolver: usuários, corretoras, empresas patrocinadoras, médicos, laboratórios, hospitais, operadoras de saúde e a Agência Reguladora”, comenta Londres.

O palestrante também mencionou como alternativa para começar a mudar essa realidade do setor, trazer o bom médico para perto e pensar que o usuário tem papel fundamental na utilização consciente do sistema. Melhorar o processo de comunicação entre os atores do setor também foi citado como fundamental por Londres. “Quando nos comunicamos é para nos defendermos e não para nos comunicarmos efetivamente. Uma das coisas que podem ser feitas para reduzir os impactos da variação dos custos nos hospitais é a instituição produzir alguma informação para conversar com as operadoras. Esta uma iniciativa pontual, mas que pode contribuir”, explica.

Integrando ações nas áreas de suprimentos e comercial: Como enfrentar a questão da variação dos custos da saúde juntos, e como fazer frente aos dilemas atuais?

Carlos Oyama, Diretor de Suprimentos e Logística do Hospital Israelita Albert Einstein (SP); Paulo Ishibashi, Superintendente Comercial, Marketing e Negócios do Hospital Samaritano (SP) e Ary Ribeiro, Superintendente de Serviços Ambulatoriais e Comercial do Hospital do Coração - HCor (SP) apresentaram as iniciativas adotadas para enfrentar a variação de custos.

Ishibashi citou a necessidade de mais cuidado no processo de incorporação tecnológica.  “A incorporação tecnológica em saúde deve possuir uma abordagem sistemática, que visa garantir custo-efetividade e disponibilidade para o atendimento”, explica.

“Não queremos a incorporação tecnológica sem que a sua eficácia seja comprovada por meio da medicina baseada em evidência”, complementa Oyama.

Outro ponto abordado pelos palestrantes foi o uso consciente. “Não basta comprar bem, temos que usar bem”, finaliza Oyama.

Fonte: Anahp